Elísio, sociólogo de pés descalços
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Elísio, sociólogo de pés descalços

Era chamado de sociólogo de pés descalços. Ninguém melhor que o Elísio conhecia o "interior", como se diz por lá, do arquipélago das ilhas do Cabo Verde. A de Santiago seguramente, a sua - Elísio era um badio-, mas também as outras grandes ilhas agrícolas que são Santo Antão e Fogo.

De pesquisas às reuniões, das formações às animações, durante anos o Elísio escalou todas as ribeiras, as colinas e as montanhas, passando horas discutindo com todo aquele que se dispusesse, sempre pronto a engolir o copo de grogue oferecido de entrada.

Elísio não gostava do modo de vida burguês. Ele só se sentia realmente bem nos lugares populares. Sua pequena casa de Fazenda na Praia, que ele nunca deixou, testemunha. Ela estava situada bem no meio do que chamava-se o "triângulo das bermudas", em que cada um dos três ângulos estava um destes bares mais improváveis da cidade et onde era comum desaparecer : Djonsa, Vila Miséria e Asa branca...

Elísio era um intelectual e um recalcitrante politico visceral. Na época colonial ele teve problemas com a policia politica portuguesa. Mas, desde que a independência foi alcançada, ele se opõe ao partido libertador, o PAIGC porque ele se instaura como partido único. E ainda no momento da alternância democrática, ele juntar-se-á à oposição ao partido que será o vencedor das primeiras eleições livres e vai abocanhar todas as alavancas de poder. O que poderia parecer como simples piruetas era na verdade um sinal de uma atitude politica coerente, aquela de uma independência feroz, de uma desconfiança de tudo que é poder e abuso de poder, de um profundo desprezo pelos carreiristas e os oportunistas.

Elísio era uma figura da sociedade civil cabo-verdiana, um pioneiro do movimento associativo, um artesão da plataforma das ONG’s e um dos membros fundadores do Citi-Habitat, uma das primeiras ONG’s do país, que ele dirigiu estes últimos 24 anos.

Cuidadoso com sua aparência, magro, portando desde sempre uma barba que lhe valeu na Praia o apelido de Barrabás, este personagem da Bíblia metade-bandido-metade-resistente que escapou por pouco da crucificação, Elísio levava jeito. Sangue-frio sem igual, de humor maroto que fazia dele um animador sem par das noites cabo-verdianas.

Elísio Rodrigues nos deixou dia 20 de dezembro de 2013. Ele era o presidente da ONG cabo-verdiana Citi-Habitat, parceira da Solidariedade Socialista desde o inicio dos anos 90.

Jacques Bastin


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